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Aprendi a colocar num frame a essência do meu ser. A escrita é "só" um suplemento para viver. Fotógrafo, prosador, empreendedor.
Puxando pela memória, não me lembro de na vida ter conhecido muitas Beatriz. Hoje, a minha actividade levou-me a que os nossos mundos se tenham cruzado. Numa sala a caminho da casa cheia, foi impossível não reparar. Sorriso terno, roupa a fugir para o formal, cabelo escuro em rabo de cavalo.

Não foram poucos - os cliques no espectáculo de FF e Anabela na Academia de Música de Vilar do Paraíso, mas os meus olhos prenderam-se nela. Trocámos meia dúzia de palavras, ficámos de nos contactar mais tarde. Sem dar nas vistas, fui em busca do seu percurso profissional: gestora de projectos de apoio à terceira idade na Fundação Belmiro de Azevedo. Ainda

Pensei fazer uma graça com o honroso apelido que tenho, mas guardei para mais tarde. Escrevi no mesmo dia um e-mail, endereçando o convite a conhecer a Focal Point Studio - a menina dos meus olhos - por falar nisso fecho os meus, e à memória vem-me o mexer dos lábios a acompanhar as canções, os sorrisos e olhares que o universo se encarregou de cruzar.


Há muito que não me lembrava de sonhar. Nós sonhos, tal como diz o poeta "o que me falta, é o que em mim mais aparece". Sim. Estou a falar de uma existência a cem por cento, sem reservas, sem medos, sem segredos. Encaixávamos um no outro sem folgas, os dedos finos e a pele macia faziam adivinhar passeios ao pôr-do-sol sem vontade de acordar a lua. Os cabelos ainda encaracolados acabados de sair de um banho de sais só para estar comigo mais um pouco. É estranho! Vimos ao mundo com um propósito, e às vezes partimos

sem termos conseguido terminar o puzzle em plenitude. Há sempre uma peça que falta e temos várias variáveis a quem atribuir a culpa. Às vezes esquecemos de olhar para o lado, e não raras vezes, para dentro. Vivo atafulhado em palavras de livros e em fotogramas. Quando estou Feliz, saio para fotografar, quando estou triste, levo um livro para me guiar a outras paragens. Há dias em que sinto a falta da miúda que se formou na minha madrugada, mas é bem capaz de estar numa escrivaninha qualquer a escrever sobre o mesmo que eu.

13 de Julho de 2024

Há dias, o blogs.sapo.pt enviou-me para o e-mail as últimas publicações a receberem mais visitas. Confesso, que o "Crónica num clique" tem ficado um pouco esquecido. Não pela falta de coisas escritas, mas por precisar de tempo para passar os textos e poemas que vão surgindo, ou em frente ao mar no paredão, ou enquanto o café arrefece.
Como tenho uma letra redonda, que qualquer pessoa pode ler, decidi neste ano dar a conhecer esta parte mais pessoal. "Palavras no caderno".
Em cada publicação farei a transcrição e uma fotografia. Quando o tempo estiver melhor, incluírei lugares da minha cidade (ou de outras) em que as palavras vão surgindo.
Olho pela primeira vez, pela janela que dá para o jardim. O meu cão, tantas vezes enérgico quando soa a campainha ou quando me vê pegar na chave, descansa enrolado nos seus pensamentos. Sonha, de certa maneira, com comida, companhia e passeios. Comecei bem o ano, cheio de vontade para dar a volta ao mundo na bicicleta que está na garagem encostada a armários com coisas que sobraram de um escritório, livros de história do décimo ao décimo segundo, alguns brinquedos da casa antiga.

Fiz um pequeno ficheiro de Excel para registar os dados dos passeios na estática ou na cross country que é a minha cara, de cores cinza, preta e branca. Na televisão recordo a final da Liga das Nações, que, ganhámos aos espanhóis. Um jogador cabeludo espanhol, com o número 24 é assobiado sempre que toca na bola. Os anfitriões ainda não esqueceram do campeonato do mundo. Fechei o ano com a certeza de que fiz o melhor possível pelos meus projectos, não perdi tempo com quem não me preenche, ajudei o mais que pude quem merecia.
Estou carregado de projectos fotográficos e literários, mas como aprendi que o melhor é guardar segredo, assim o farei. Eventualmente irão surgir por aqui duas ou três fotografias específicas, mas não mais do que isso.
Bom ano!
Não deve haver história de amor mais bonita que o título da presente crónica. Conhecer alguém, sem estarmos minimamente apresentáveis, numa fila para pagar mais um livro, um café bebido à pressa num lugar, em que alguém se lembrou de colocar o néctar que vem de solos difíceis de outras paragens, a poucos cêntimos, numa carteira já ela leve por ter escolhido uma paixão tão cara quanto as letras. Não deve haver mais nenhum erro bonito, sorrirmos entre capas, corredores repletos de histórias de outros, perguntar o nome, ou o que estás a ler quando não vens à livraria. Escrever horas a fio numa esplanada qualquer, o ruído dos outros ao fundo, o senhor do café da biblioteca que já te conhece os vícios, deposita-te uma chávena aquecida sem abrires a boca ou tirares os olhos do caderno pequeno.
Mergulho nas palavras do João Tordo. O segundo livro dele a estar na minha biblioteca pessoal, depois de "Manual de sobrevivência de um escritor". Pela segunda vez, em longos meses de permanência na plataforma Vinted, comprei um livro em segunda mão. De seu nome, Inês. Parece-me ser alguém de trato civilizado. Lábios bem tratados, quiçá, um sorriso tímido enquanto escolhe livros na Bertrand de Lisboa. Imagino-a a ler, "Inventário da solidão" Quase a sussurrar a passagem mais bonita de um livro próprio, que insiste em escrever, escondida naquele café do bairro, de auscultadores nos ouvidos, mas que teima em não fazer chegar a ninguém. À memória vem a música "Sofia, por ela própria" de Miguel Araújo. Um gato, colecionava cupões mas mantinha-os guardados - não lhe fosse sair.
O primeiro livro que comprei, chegou-me da Alemanha "ABC do Charuto" em português. Às vezes pergunto-me, quando estou em frente a uma livraria deserta, que conversas haverão entre os livros. Será que as personagens ganham vida e descrevem entre si olhares indiscretos entre livrólicos anónimos? Não deve haver nada mais bonito. Lavar os dentes à pressa, passar o desodorizante, escovar o pouco cabelo que resta, dizer "vou beber um café", e só regressar horas mais tarde com um jantar agradável, um livro novo, e a camisola (mal escolhida) cheirar a um abraço bonito.
E se, de repente, pudesses realizar o sonho de viver fora do teu conforto numa cidade fascinante e o amor te fizesse ficar por mais algum tempo? "My Oxford Year" foi a escolha de hoje, depois de uma passagem por Nova Iorque na sessão anterior. Não conhecia a atriz nem o ator que dão corpo e alma às personagens de Anna e de Jamie. Ela, uma estudante americana a poucos meses de terminar um curso de economia e aceitar um cargo na Goldman, ele, um professor de literatura na conceituada Universidade de Oxford. De famílias abastadas, mas com um passado difícil com a perda do irmão. É relativamente próximo da mãe, mas distancia-se vezes a mais do pai.
A primeira vez que se encontraram, num "fish & chips", Anna tinha sido "regada" com uma poça pelo Jaguar de Jamie. Um namoradeiro incorrigível foge de mais uma conquista num pub britânico. Anna, decide vingar-se e chamá-la para que o visse e confrontasse.
Anna atravessou o Atlântico por uma professora, mas o destino fá-lo ser seu professor. Numa tentativa de a perturbar, Jamie pede para que leia um poema de um autor americano na pronúncia original. Lê-o de forma magistral, e a partir desse momento dá-se um clique. Torna-se amiga de colegas que a levam a um tradicional pub, numa clara tentativa de a juntar com alguém. Jamie salva-a de um palerma e passam a noite entre copos, karaoke e kebab.
Flirts, beijos, sorrisos, olhares, tudo parece dar certo. Até ao momento em que ela descobre que ele está doente. Celebra o aniversário com os amigos da universidade e com os pais de Jamie na sua incrível mansão. Troca palavras certeiras com Cecília, namorada que acompanhou a terrível doença do irmão de Jamie. Pede desculpa aos pais por não fazer intenções de voltar aos Estados Unidos e de querer ir de encontro aos seus sonhos.
Jamie não aceita a doença e sabe que muito dificilmente conseguirá resistir. Convence Anna a fazer uma viagem pela Europa e a ser feliz. Somos contemplados com imagens de ambos em Amesterdão, Paris, Veneza mas tudo não passa de um sonho. Anna promete-lhe esse roteiro, mas consigo apenas as memórias e um olhar triste. Acaba como começa, a mesma deixa por Anna aos novos alunos de literatura.
Há filmes bonitos. Há filmes que nem damos pelo tempo passar!

Primeiro passeio do dia. Café quente, acompanhado do sossego que o rito merece. O zuky aguarda um pouco por mim no carro. Saiu de uma realidade de uma box, depois de uma quase morte nos socalcos do Douro. Hoje, dorme onde calha, no sofá corbusier, à sombra de um limoeiro. Ouve jazz. Por nós passa uma senhora, imagino avó, de fato de treino com logótipo da NASA. Assim, de repente, imagino-a a brincar com os netos, a tratá-la como uma estrela. Fui bafejado pela sorte. Tive avós até tarde, mas partem sempre cedo.
É segunda-feira, está sol. Duas janelas abrem-se e deixam as colchas respirar o ar da cidade que vai cheirando a mar e a combustíveis fósseis. Ao longe, já no novo jardim mas de poucas sombras o barulho dos autocarros abafa os pregões das vendedeiras que dizem ter os melhores tomates da região, e as culturas biológicas. É dia de feira, há gente na rua a pedir para uma sopa.
Hoje - segunda - sem ideias de um serão diferente do comum: passeio com o patudo, um livro no cantinho das leituras, decidi ir à sessão das dez. Não o fiz de forma física a um centro comercial nas redondezas, antes, na aplicação da Netflix. Já me tinha surgido numa sugestão para mim - na minha "conta" - este título que agora vos falo.
Beren Saat, para mim não me dizia nada, nunca a vira mais bonita . Kivanç Tatltug descobre-se num papel de músico que se viu obrigado - por amor - a escolher uma carreira que justificasse Beren, no papel de Serin, abedicasse de uma proposta de emprego em Nova Iorque.
"Last Call for Istanbul" começa com Serin a trocar olhares no Aeroporto JFK com Mehmet, de guitarra ao ombro e um saco a relembrar outros tempos da América, e uma das frases que ficam "Sabia que era com ele que iria ficar...". Alguém por engano pegou numa mala igual à de Serin, Mehmet disse que ajudava a desfazer o equívoco. Deram por si em Chinatown numa típica loja confusa de chineses para recuperar os pertences. O senhor só regressaria ao hotel no dia seguinte. Um hotel que mais parecia um museu da música e da arte em geral, com figuras como John Lennon ou Marilyn Monroe a dar nome aos quartos. A ela calhou o quarto de Marilyn, a ele, o de John em andares separados.
Ambos tinham aliança. Combinaram encontrar-se no rooftop do hotel para beber um copo e se conhecerem melhor. Falam sobre o casamento, sobre sonhos, sobre... traição. Ele, afirmava-se um bom marido, que jamais trairía a mulher, ela, queria viver uma aventura com uma condição: no dia seguinte cada um seguiria o seu caminho.
Não foi só um copo, foram vários. Seguiram-se cenas de encontros imediatos em zonas pouco recomendadas da cidade que nunca dorme, a partilha de um charro junto ao rio Hudson com vista para a cidade iluminada. Daí em diante, foram um do outro. No dia seguinte, já com a mala em seu poder, dá-se o MOMENTO do filme: em que ambos aparecem a receber uma chamada para o divórcio.
Sim! Serin e Mehmet são marido e mulher. Ele, um músico de segunda linha em bares pequenos, ela, uma designer de moda que acaba despedida e sem os seus modelos de chapéus e acessórios. Tenta a sua sorte para uma empresa em Nova Iorque, é convidada a atravessar o Atlântico e nada diz a Mehmet. O casamento mergulha numa crise, e partem para terapia de casal. A psicóloga deixa-lhes um desafio na última consulta antes do divórcio: voltariam a apaixonar-se caso se encontrassem nas mesmas circunstâncias?
Há então um regresso ao ponto de partida - o aeroporto - e o dia em que se encontraram em terras do Uncle Sam. Serin muda-se do "Marshall City Hotel" para um outro alojamento, mas antes, a dona deixa-lhe uma carta de Mehmet, pedindo desculpa por não ser bom em palavras cara-a-cara. Serin ainda aceita fazer uma sessão fotográfica, mas o seu instinto leva--a de regresso a Istambul e aos braços de Mehmet.
Chuva, castanhas, casaco quente. Eu, e tanta gente

Gosto das manhãs de silêncio. Na falta de um tempo mais bonito para um passeio no parque, aproveito a hora de spa do meu cão para uma leitura demorada acompanhada de um chá de frutos vermelhos. Cruzo o parque da minha cidade, onde as folhas acastanhadas dançam ao sabor do vento, das colunas saem notas de jazz, o que nos tempos que correm, fazem-nos parecer estar num mundo à parte. O som da máquina do café confunde-se com a máquina dos trocos, o rapaz que me atendeu, traz-me a conta ao mesmo tempo que me deixa o bule e a chávena branca da buondi na mesa redonda. Digo que depois pago ao sair. Computadores portáteis da Apple contei dois, e um ainda permanece ligado, com o homem de caneta junto ao queixo e phones nos ouvidos.
Numa mesa aqui bem perto dois amigos de uma idade mais avançada que a minha conversam de maleitas. O que permanece em pé diz que precisa de ir fazer análises e um raio X ao pescoço. Queixa-se do tempo de espera para a consulta aberta - 7 de Dezembro - e diz que vai ao privado. Demora-se um pouco mais, e senta-se na esplanada a puxar de um cigarro. Na televisão mais um caso em França de um atropelamento com quatro pessoas em estado grave. O amigo que ouviu impávido e sereno volta a puxar do catarro, interrompe-me a leitura de um encontro de Susan com um dos seus autores preferidos nos Estado Unidos, num tempo em que a lista telefónica trazia a morada de actores, realizadores, etc.
Gosto das manhãs em que o silêncio impera. De preferência que seja também assim o pequeno-almoço. Evito as notícias, é sempre tudo igual ao dia anterior. Mas hoje, Nova Iorque acordará com uma vitória de um muçulmano na câmara. Uma personalidade que foi amplamente criticada pelo Trump. Mas ainda há pessoas que pensam pela sua cabeça.
Calhou de passar, hoje, já com a companhia da lua naquele que eu chamo, o lugar do eterno descanso, aqui, tão perto de casa. A imagem não é de agora, nem sequer do lugar que agora vos descrevo, mas tive pena de não ter o telefone comigo.
As velas dão-lhe um valor poético, fotograficamente interessante, mas nos outros trezentos e sessenta e três e dias ficam entregues às suas sombras, das campas, das cruzes, dos copos com cera já derretidos. O dia um de Novembro pouco me diz. É muito raro deixar flores (ou uma simples rosa) no jazigo.
Tento ir sempre longe destas datas. Entro de olhos postos nas pedras - também elas irregulares como da rua - conto os passos que faltam até à cruz Central, onde a 23 de Maio - a freguesia, em comemoração de um aniversário de independência - deposita uma linda mas discreta coroa para homenagear os autarcas já noutra dimensão.
Esta semana fui aos dois cemitérios de São João da Madeira, onde estão os meus avós - separados por ruas, jardins, prédios, a linha do vouguinha. É um autêntico jardim. Quando me perguntam do que sinto mais falta são dos verões inteiros com calor, de subir a rua íngreme, entrar no Bonzão, beber um café como fazia o meu avô, passar a rua, entrar na ourivesaria do Charrones e pedir para mudar a pilha do relógio que ficou para mim.
Consigo sempre imaginar um diálogo, escutar, ainda que só para mim, aquelas vozes só mais uma vez. Não gosto de Novembro por esta data. Não entro nestes dias.
Acorda-me,
Mostra-me de que cor são feitas as manhãs
Escreve-me,
Como quem percorre sem pressa na areia molhada.
Trago-te a melodia do mar, sem bandeiras vermelhas

As árvores dão de si. Emitem sons, que só os do comboio ali em frente abafam. Abro a porta que dá para a varanda da cozinha. Fiquei uns segundos, não sei precisar quantos, a olhar o melro-trapezista. O bico cor de laranja contrasta com o pêlo negro. Vai de um lado ao outro sem tropeçar. Caso acontecesse, batia as asas e aterrava como um helicóptero que leva ao Douro os turistas. Não sei se alguma vez os drones vão transmitir o que os pássaros descobrem neste maravilhoso lugar que é o mundo. Olho o céu, as nuvens correm para norte. Na televisão anunciaram uma nova depressão: Martinho, de seu nome. O melro não estará de certo a par das novidades meteorológicas, e para ele é simples: caso o vento seja forte, descansa as asas e resguarda-se na relva. Com sorte, na janela em frente voem pedaços de pão que sobraram do pequeno-almoço. Ainda o oiço cantar.
28 de Fevereiro,
Hoje esqueci-me do bloco. No regresso ao lugar de sempre ao final da jornada - e tantas vezes de manhã para aproveitar os raios de sol e o canto dos pássaros no parque - oiço um diálogo de pai com os filhos pela mão:
- Hoje foi massa com carne. E para sobremesa um doce de maçã.
O pai, com a mais nova pelo braço exclama:
- Eu só gostava de saber é porque é que a camisola que devias trazer vestida vem pendurada no meu braço. O mais velho corre pela relva e salta para o topo da rocha cinzenta que tem vista privilegiada para as árvores do parque e as janelas da Biblioteca. Uma jovem moça bem vestida encosta-se ao balcão. A porta abre-se, uma bandeja cheia de loiça suja. Num olá seco pedem para activar a máquina de tabaco que se encostou à parede perto da esplanada.
Aqui está-se sossegado. Um homem mastiga pastilha elástica dando assim mais um passo rumo à velhice saudável sem tabaco. Bebe, em goles pequenos sem açúcar o seu quarto café. A televisão, com uma legenda sobre regras à imprensa na Casa Branca. Numa altura em que se pode dizer tudo, o loiro impõe guias-de-conversa. A "Ana Júlia" sai pelas colunas da parede e leva-me a outras paragens. Uma guitarra eléctrica mesmo ali ao pé, youtube sem publicidade. Como diria o grande amigo Lúcio: outros tempos!
1 de Março
O mar devolve tudo o que não lhe pertence. Vim dar um passeio com o meu cão. Há restos de paus, penas de gaivotas que voam agora noutras paragens, e a pulseira preta que atirámos a meias ao Atlântico no final do verão. Calhou, de a ver num montinho de areia, meia enterrada, meia à vista.
Lembro-me de com a palma da minha mão encontrar os teus finos dedos - ainda que representassem para mim - a segurança há muito desejada. Estranho. Nem te vi passar de auscultadores nos ouvidos, calças justas e olhos azuis - embora tristes - com a nortada e o fim do livro.
Está frio. O cão vai fitando o cansaço com a longa cauda a abanar ao vento. Olhámos, por largos minutos a nossa cidade a dar os bons dias.

Prometeste que caminharíamos lado a lado. Acho que esta imagem reflete o que nos aconteceu... Andámos desfasados, apesar de ter na música um ponto de partida idêntico: o tempo certo...

Se olhares o teu reflexo não sei o que vês, se vires o meu as respostas aos porquês. Se me invades sem pedir tão cedo não te deixo sair
Uma janela para uma sessão de equilibrismo.

O pôr-do-sol dura tão pouco como um abraço à pressa com a desculpa: está a chegar a carreira...

As manhãs têm destas formas de nos dizer bom dia.
Não sei quanto pagam as aranhas de imi